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Da classificação à geração de valor: o papel do conhecimento na gestão de resíduos

marketing107922
há 11 horas
5 min de leitura

Quando conhecer o resíduo deixa de ser apenas uma obrigação e passa a gerar oportunidades?


Nas duas primeiras partes desta série, discutimos a transformação da gestão de resíduos e a importância das normas técnicas para sua classificação e gerenciamento. Agora, chegamos a uma questão estratégica: O que uma organização pode fazer quando passa a conhecer melhor os resíduos que gera?


A resposta pode envolver prevenção, redução, monitoramento, melhoria de processos, reaproveitamento, economia circular e geração de valor.

 


Monitorar é mais do que caracterizar


Durante a Mesa 1 do Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração, Luciano Santos, Diretor Técnico e Geoquímico Ambiental da GeoEnviron Consultoria, chamou atenção para a importância de transformar caracterizações pontuais em uma perspectiva de acompanhamento contínuo. Uma de suas contribuições sintetiza essa necessidade:

“Transformar esses pequenos retratos no monitoramento.”


A ideia é particularmente relevante para atividades industriais e minerais. Um resultado analítico representa uma determinada condição em determinado momento. Entretanto, processos produtivos, matérias-primas e condições ambientais podem sofrer alterações. Por isso, uma gestão ambiental tecnicamente consistente precisa considerar:

histórico + rastreabilidade + representatividade + monitoramento.


Essa abordagem permite que as organizações tenham uma compreensão mais ampla do comportamento dos materiais ao longo do tempo.

 

A mineração e os grandes volumes de materiais


A mineração apresenta desafios específicos quando o assunto é gestão de resíduos. A atividade envolve grandes volumes de materiais e processos nos quais características geológicas, físicas e químicas precisam ser consideradas. Mas a discussão atual começa a ampliar essa perspectiva.


Em vez de olhar somente para o volume de material que precisa ser gerenciado, torna-se necessário compreender também:

  • Quais materiais estão presentes?

  • Quais características possuem?

  • Existe potencial de reaproveitamento?

  • Podem retornar a algum processo produtivo?

  • Podem ser utilizados em outra cadeia?


Esse olhar conecta diretamente a gestão de resíduos à economia circular!

 

Mineração urbana e novas possibilidades


Durante as discussões do workshop, também foram apresentados exemplos relacionados à mineração secundária e à recuperação de materiais presentes em resíduos. Um dos exemplos mostrou que o Brasil pode produzir determinados minerais a partir da recuperação de materiais presentes em resíduos eletroeletrônicos. Essa possibilidade amplia o próprio conceito de recurso.


Um material que já foi extraído, processado e incorporado à economia pode, ao final de sua vida útil, voltar a representar uma fonte de matéria-prima. É uma mudança importante:


O resíduo pode deixar de ser visto apenas como aquilo que precisa ser eliminado e passar a ser analisado como parte de uma nova cadeia de valor.

 

Economia circular exige integração


Essa transformação, entretanto, não acontece de maneira isolada. A economia circular exige integração entre diferentes áreas e conhecimentos. Produção, engenharia, qualidade, meio ambiente, laboratório, logística, inovação, suprimentos e gestão precisam dialogar. Durante as discussões do workshop, essa necessidade de colaboração foi reforçada. A circularidade depende de organizações capazes de superar estruturas isoladas e conectar conhecimentos diferentes.


Isso significa que uma oportunidade ambiental pode também ser uma oportunidade de:

Eficiência operacional, inovação, redução de custos, desenvolvimento tecnológico e geração de novos negócios.

 

Da conformidade à estratégia


Quando uma organização conhece profundamente seus resíduos, ela pode avançar para perguntas mais estratégicas:


  • É possível reduzir a geração?

  • É possível alterar o processo?

  • É possível reaproveitar o material?

  • Pode ser utilizado como coproduto?

  • Pode retornar ao processo?

  • Pode ser utilizado por outra cadeia produtiva?


Nesse momento, a gestão de resíduos deixa de ser apenas uma obrigação ambiental e passa a integrar a estratégia da organização. A gestão ambiental começa a contribuir diretamente para:

  • melhoria de processos;

  • redução de desperdícios;

  • gestão de riscos;

  • inovação;

  • sustentabilidade;

  • eficiência;

  • economia circular.

 

E onde entra a competência técnica?


É exatamente nesse ponto que o debate se conecta com a atuação da Rede Metrológica de Minas Gerais. A evolução das normas, dos processos produtivos e das demandas ambientais exige profissionais preparados para acompanhar mudanças, interpretar requisitos e transformar conhecimento em decisões. Como destacou Luiz Busato:


“Hoje publicar a norma não é suficiente. A gente tem que fazer a norma chegar às pessoas, as pessoas compreenderem as normas e usá-las.”


Essa fala resume um dos princípios fundamentais da atuação da RMMG:

Conhecimento precisa se transformar em competência.


Por isso, a RMMG contribui para o desenvolvimento das organizações por meio da disseminação do conhecimento, treinamentos e capacitações, aproximando profissionais das normas, dos requisitos técnicos e das boas práticas aplicáveis às suas atividades.

 

Capacitar para transformar


Para a indústria, a mineração, os laboratórios e as organizações que atuam na qualidade ambiental, acompanhar a evolução normativa não significa apenas atualizar documentos.

Significa preparar pessoas. Significa desenvolver capacidade para:

interpretar requisitos; avaliar processos; compreender resultados; identificar riscos; tomar decisões; e transformar conhecimento técnico em melhoria.


Nesse sentido, a capacitação passa a fazer parte da própria infraestrutura da qualidade. Uma organização tecnicamente preparada possui melhores condições de responder às mudanças regulatórias, ambientais e tecnológicas.

 

Um novo paradigma para a gestão de resíduos


As discussões promovidas pelo IBRAM e pela FIEMG mostram que a gestão de resíduos está inserida em uma transformação mais ampla. Não se trata apenas de destinar corretamente.

Trata-se de conhecer, prevenir, reduzir, monitorar, reaproveitar e gerar valor.


A experiência dos especialistas apresentados ao longo do workshop evidencia diferentes dimensões dessa transformação: Luiz Busato reforça a necessidade de compreender e aplicar as normas. Verônica Dias Dominato demonstra como conhecer o resíduo pode contribuir para melhorar o próprio processo. Renato Teixeira Brandão apresenta a perspectiva do órgão ambiental diante da implementação da nova classificação. Luciano Santos destaca a importância de transformar caracterizações pontuais em monitoramento.


Juntas, essas perspectivas mostram que a gestão de resíduos exige muito mais do que conformidade. Ela exige conhecimento, integração e competência técnica.

 

RMMG: conhecimento que fortalece a qualidade


A transformação da gestão de resíduos passa necessariamente pelas pessoas.

Normas técnicas estabelecem referências.

Tecnologias oferecem possibilidades.

Processos geram materiais.


Mas são profissionais preparados que conectam esses elementos e transformam conhecimento em resultado. É nesse contexto que a RMMG reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da competência técnica e com a disseminação do conhecimento junto às organizações. Porque preparar profissionais é também preparar organizações para lidar com mudanças, riscos e oportunidades. E, diante dos desafios atuais da qualidade ambiental, essa preparação é cada vez mais estratégica.


Uma norma pode estabelecer o requisito.

O conhecimento permite compreendê-lo.

E a competência transforma esse conhecimento em prática.


RMMG — Conhecimento que fortalece a qualidade.


Escrito por Kátia Begati

REFERÊNCIAS


INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO – IBRAM; FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS – FIEMG. Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração. Belo Horizonte, 6 ago. 2026.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10004:2024 – Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10007 – Amostragem de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT.


 

Gestão de resíduos na indústria e na mineração

Da classificação à geração de valor: O papel do conhecimento na gestão de resíduos


Quando conhecer o resíduo deixa de ser apenas uma obrigação e passa a gerar oportunidades?




3° ARTIGO DA SÉRIE:

GESTÃO DE RESÍDUOS

 
 
 

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