ABNT NBR 10004:2024 e ABNT NBR 10007: Por que conhecer o resíduo é fundamental?
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A classificação como instrumento de conhecimento, controle e melhoria dos processos
Na primeira parte desta série, discutimos a mudança da lógica linear de produção para uma perspectiva mais circular e mostramos por que a gestão de resíduos precisa começar antes da destinação. Mas existe uma questão fundamental:
Como classificar corretamente um resíduo se não conhecemos suas características e o processo que o gerou?
Essa foi uma das questões centrais da Mesa 1: “Normas técnicas sobre classificação de resíduos (ABNT NBR 10004:2024 e ABNT NBR 10007) e seus impactos na indústria e na mineração”, realizada durante o Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração, promovido pelo IBRAM e pela FIEMG, no dia 06 de agosto de 2026.
A mesa reuniu especialistas da normalização técnica, da indústria, da consultoria ambiental e do órgão ambiental estadual.
ABNT NBR 10004:2024: uma atualização que exige conhecimento
Ao abordar a evolução das normas, Luiz Busato, Coordenador Técnico da ABNT/CEE 246, destacou que a gestão de resíduos está inserida em uma transformação mais ampla da sociedade e dos sistemas produtivos.
A discussão sobre a ABNT NBR 10004:2024 demonstra justamente essa evolução.
A classificação de resíduos não deve ser tratada como um procedimento meramente burocrático. Ela precisa estar apoiada em informações confiáveis sobre origem, composição, características e riscos.
A organização precisa conhecer o material que gera para poder tomar decisões tecnicamente fundamentadas.
Conhecer o resíduo pode melhorar o processo
Essa relação entre classificação e melhoria ficou muito clara na contribuição de Verônica Dias Dominato, Engenheira de Meio Ambiente da Companhia Brasileira de Alumínio – CBA.
Ao apresentar a experiência da indústria, Verônica destacou:
“Além de você ter o objetivo de ter a classificação do resíduo, quando você conhece o resíduo possibilita de você ter tecnologias no seu processo para melhorar aquela condição.”
A fala traz uma reflexão importante: A classificação não precisa ser o ponto final. Ela pode ser o ponto de partida para a melhoria.
Quando uma organização conhece a composição e as características dos resíduos que gera, passa a ter melhores condições de investigar sua origem e compreender a influência das matérias-primas e das condições de processo. Na experiência apresentada pela CBA, foram discutidos estudos relacionados aos resíduos gerados no processo de produção de alumínio e à avaliação de substâncias que podem influenciar sua classificação. Esse conhecimento pode contribuir para decisões relacionadas ao próprio processo produtivo.
A visão do órgão ambiental
A atualização das normas também produz reflexos sobre os processos de controle e licenciamento ambiental.
Essa perspectiva foi apresentada por Renato Teixeira Brandão, Presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEAM.
Ao discutir a implementação da nova classificação, Brandão explicou que a FEAM estava trabalhando na elaboração de instrumentos para orientar suas unidades regionais e na adequação dos sistemas utilizados pelo Estado.
Durante o debate, ao tratar dos empreendimentos que já possuem licenciamento, destacou:
“Independente da mudança da norma, o licenciamento está válido, aquela área está autorizada a receber aquele tipo de resíduo.”
A manifestação demonstra que a transição normativa precisa ser compreendida dentro de um contexto mais amplo. A mudança na classificação não deve ser analisada de forma isolada. É necessário avaliar seus possíveis impactos sobre:
Licenciamento, armazenamento, transporte, registros, sistemas de controle e procedimentos internos.
Norma publicada precisa chegar às pessoas
Uma das principais falas da Mesa 1 foi apresentada por Luiz Busato ao abordar a necessidade de disseminação do conhecimento.
“Hoje publicar a norma não é suficiente. A gente tem que fazer a norma chegar às pessoas, as pessoas compreenderem as normas e usar.”
A afirmação sintetiza um dos grandes desafios da implementação de requisitos técnicos.
Uma norma estabelece critérios. Mas são os profissionais que precisam interpretar, aplicar, avaliar e transformar esses requisitos em práticas. Por isso, a atualização da ABNT NBR 10004:2024 e da ABNT NBR 10007 traz também uma necessidade de atualização das competências profissionais.
Conhecimento técnico é parte da gestão
Para profissionais de qualidade, meio ambiente, laboratórios, processos e sustentabilidade, essa discussão reforça uma premissa: A qualidade da decisão depende da qualidade da informação. E a qualidade da informação depende da competência de quem:
define o que precisa ser avaliado;
realiza ou acompanha as análises;
interpreta os resultados;
conhece o processo;
toma a decisão.
Desse modo, acompanhar as mudanças normativas é também investir em competência técnica.
Escrito por Kátia Begati
REFERÊNCIAS:
INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO – IBRAM; FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS – FIEMG. Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração. Belo Horizonte, 6 ago. 2026.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR 10004:2024 – Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. ABNT NBR 10007 – Amostragem de resíduos. Rio de Janeiro: ABNT.

ABNT NBR 10004:2024 e ABNT NBR 10007: Por que conhecer o resíduo é fundamental?
A classificação como instrumento de conhecimento, controle e melhoria dos processos
2° ARTIGO DA SÉRIE:
GESTÃO DE RESÍDUOS




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