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Summit de Gestão de Contratos, Terceiros e Tecnologia

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há 11 minutos
5 min de leitura

Desafios da gestão contratual, governança, riscos, sustentabilidade e tecnologia


No dia 20 de outubro de 2026, a Rede Metrológica de Minas Gerais (RMMG) participou do evento: "Summit de Gestão de Contratos, Terceiros e Tecnologia", organizado pela Academia de Contratos e pela MPH Consultoria. O encontro reuniu profissionais e especialistas para discutir temas relacionados à gestão contratual, governança, riscos, sustentabilidade, tecnologia e desempenho organizacional.


Como patrocinadora do evento, a RMMG também integrou a programação com a palestra “Contrato assinado não é entrega garantida: O papel da qualidade de produtos e serviços no sucesso dos contratos”, conduzida por Isabella Matos de Oliveira, Gerente da Qualidade, e Kleber Albuquerque, Diretor Executivo. A RMMG também esteve representada por uma equipe de diferentes áreas, reforçando seu envolvimento com iniciativas que promovem o intercâmbio de conhecimentos e o relacionamento institucional.



O valor do contrato também depende da execução


Um dos dados que chamou a atenção durante o encontro foi apresentado por Robson Sousa, representante da Vale. Com base em estimativa da World Commerce & Contracting (WorldCC), ele destacou que entre 9% e 20% do valor total contratado pode ser perdido durante a execução dos contratos.


Entre as causas estão alterações de escopo, atrasos na tomada de decisões, baixa produtividade, inconsistências nos pagamentos e problemas de integração entre as áreas envolvidas.


A discussão evidencia que a gestão contratual não deve se limitar à negociação e à formalização. É necessário acompanhar todo o ciclo de vida do contrato, monitorar resultados, avaliar riscos e assegurar o cumprimento das condições acordadas.


Essa perspectiva também esteve presente nas apresentações de Márcio Barros, que abordou a estruturação de áreas de gestão de contratos de alta performance, e de Marcos Ohta, da AFRY, que destacou o problema do chamado “contrato órfão”: aquele que passa por diferentes áreas da organização, mas não conta com responsabilidades claramente definidas ao longo de sua execução.


Gestão de riscos exige atenção durante toda a vigência


Outro tema relevante foi a gestão de riscos na cadeia de fornecedores. Junio Magela, da ESGscan, apresentou o caso ocorrido na Serra Gaúcha, em 2023, quando 207 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma operação envolvendo uma empresa terceirizada que prestava serviços a grandes vinícolas.


O exemplo demonstrou que exigências contratuais e verificações documentais não eliminam, por si só, os riscos associados à execução dos serviços. O acompanhamento das condições reais de trabalho e da atuação dos fornecedores precisa ocorrer durante toda a vigência contratual.


Na área de energia, André Almeida, da Echoenergia, apresentou a importância de tratar a contratação de energia como uma decisão estratégica. Flexibilidade de volumes, regras de sazonalização, indexadores, penalidades e garantias são fatores que precisam ser considerados, assim como a capacidade do fornecedor e a adequação do contrato às necessidades do negócio.


A Deloitte também abordou os impactos da Reforma Tributária nas relações de fornecimento, destacando a revisão de cláusulas contratuais, a formação de preços e o equilíbrio econômico-financeiro durante o período de transição.


Já Gustavo Procópio trouxe a discussão sobre liderança em tempos de inteligência artificial e gerenciamento de mudanças, ressaltando a importância de preparar as pessoas e a cultura organizacional para transformar o uso da tecnologia em resultados efetivos.


A qualidade como elemento central da entrega


Foi nesse contexto que a RMMG apresentou uma reflexão importante:


Um contrato bem elaborado é suficiente para assegurar a qualidade dos produtos e serviços recebidos?


A palestra mostrou que, embora a negociação estabeleça preço, prazo e escopo, a entrega depende também da capacidade de gestão e dos controles adotados durante a execução. Para demonstrar essa relação, foram apresentados dois casos:


O primeiro envolveu uma indústria automotiva que adquiria parafusos em grande volume, com entrega e faturamento realizados por peso. A balança utilizada pelo fornecedor não possuía calibração adequada e apresentava resultados acima do peso real. Na prática, a quantidade recebida era inferior àquela correspondente ao valor faturado. Como o contrato não estabelecia mecanismos suficientes de controle da qualidade e compensação, o problema foi encaminhado à Justiça cível, ampliando os prejuízos.


O segundo caso ocorreu em uma mina de ouro no Canadá. Em 2024, uma pilha de lixiviação entrou em colapso, deslocando aproximadamente 2 milhões de toneladas de material. Em 2026, a mineradora acionou judicialmente a empresa contratada para a obra, alegando problemas relacionados à qualidade da manta utilizada e à execução das soldas. As alegações ainda serão julgadas.


Embora distintos, os dois exemplos apresentam um ponto em comum: falhas na especificação, na verificação dos requisitos e no acompanhamento da execução podem comprometer os resultados esperados de um contrato.


A confiabilidade das medições também protege o consumidor


A discussão foi ampliada para além das relações entre empresas, mostrando que problemas relacionados à qualidade e à medição também chegam ao consumidor.


A apresentação trouxe dados de um evento sobre o combate à fraude no comércio de bens e serviços, realizado com a participação do Inmetro, da Anatel e da Receita Federal. Entre as informações apresentadas, destacou-se a estimativa de aproximadamente 100 mil balanças comercializadas anualmente sem aprovação do Inmetro.


Quando uma medição influencia o preço, a quantidade, o pagamento ou a aceitação de um produto ou serviço, a confiabilidade dos resultados deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a representar também uma questão econômica e de proteção das partes envolvidas.


Qualidade em todo o ciclo de vida do contrato


A gestão da qualidade começa antes mesmo da assinatura do contrato, com o estabelecimento de requisitos claros, critérios objetivos de aceitação e avaliação da capacidade de entrega do fornecedor.


Durante a execução, processos padronizados, medições confiáveis, acompanhamento de indicadores e tratamento de desvios ajudam a verificar se o que foi contratado está sendo efetivamente cumprido. Após a entrega, a análise dos resultados e das não conformidades permite identificar oportunidades de melhoria e fortalecer os processos para futuras contratações.


Nesse sentido, a ABNT NBR ISO 9001:2026 oferece uma referência importante para estruturar sistemas de gestão da qualidade, promovendo processos consistentes, controle das atividades e melhoria contínua.


A aplicação desses princípios contribui para relações contratuais mais transparentes, com responsabilidades definidas e maior segurança para contratantes, fornecedores e consumidores.


Contratos que geram valor dependem de gestão


As discussões do "Summit de Gestão de Contratos, Terceiros e Tecnologia" reforçaram que o resultado de uma contratação não depende apenas de boas negociações ou documentos bem elaborados. Exige governança, gestão de riscos, acompanhamento dos fornecedores, processos estruturados e compromisso com a qualidade.


Afinal, o contrato estabelece o que deve ser entregue, mas são os processos de gestão, controle e avaliação que contribuem para que essa entrega aconteça conforme o esperado.


Contrato assinado é um compromisso. Entrega com qualidade é resultado de gestão!


Conteúdo elaborado com base nas discussões e apresentações do Summit de Gestão de Contratos, Terceiros e Tecnologia, realizado em Belo Horizonte, em 20 de outubro de 2026.



duas pessoas palestrando no evento "summit de gestão de contratos, terceiros e tecnologia"

SUMMIT DE GESTÃO DE CONTRATOS, TERCEIROS E TECNOLOGIA:







Desafios da gestão contratual, governança, riscos, sustentabilidade e tecnologia.

 
 
 

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